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É muito provável que você já tenha ouvido falar em Private Equity e Venture Capital, pois são termos muito usados no mercado financeiro. Mas afinal, o que eles significam? Para sanar essa dúvida, ao longo do texto será esclarecido o conceito de cada um desses investimentos e quais são as suas principais características.

Private Equity

Para entender melhor o que é Private Equity significa, na tradução livre, Capital Privado ou Participação Privada. Tal modalidade, surgiu nos Estados Unidos na década de 80 e consiste em um investimento feito de maneira privada em uma empresa de capital fechado, ou seja, que não possui ações listadas na bolsa de valores e apresenta um grande potencial de crescimento ou de recuperação.

O investidor (instituição financeira, fundo de investimentos ou uma pessoa física) recebe uma “fatia” da empresa em troca do capital injetado e, ao final do processo, vende essa participação acionária para obter o seu lucro. Porém, para ficar mais claro, precisamos entender como funcionam as fases desse processo.

Por que uma empresa necessitaria desse tipo de investimento?

A empresa que recebe o investimento pode se beneficiar de algumas formas, porém, vamos abordar as principais. A primeira é o Benefício da Certificação, que leva esse nome porque antes de um investidor colocar seu dinheiro em alguma ideia, há muita pesquisa para encontrar um empreendimento que valeria o investimento.

Além disso, há o Benefício do Networking, ou seja, da rede de contatos que um investidor de PE (Private Equitytraz consigo, como, por exemplo, os fornecedores, potenciais clientes, bancos, entre outras possibilidades.

Outra forma é o Benefício do Conhecimento, pois uma prática extremamente comum dentro do PE é a atuação do investidor como um orientador no empreendimento, para melhor guiá-lo ao sucesso, fornecendo conhecimentos gerais de como conduzir um negócio e até mesmo fundamentos específicos. Por último, mas não menos importante, existe o Benefício Financeiro, gerado através da injeção de capital no empreendimento em troca de participação acionária.

Venture Capital

Antes de seguirmos com a explicação das fases do processo dePrivate Equity, é necessário já entendermos o conceito de Venture Capital, ou Capital de Risco em português.

Venture Capital é um caso específico de Private Equity, onde o investimento acontece em um estágio inicial, quando a empresa beneficiada ainda está adentrando o mercado, ou muitas vezes ainda não passa de uma ideia (aqui comumente chamamos de Seed Capital). A ideia do risco surge, visto que o dinheiro é injetado em um negócio novo, o qual às vezes não possui um mercado já formado ou presença relevante.

As startups são um bom exemplo de empresas que recebem esse tipo de investimento a todo momento, normalmente precisando do dinheiro para a compra de equipamentos e instalações para começarem a operar, ou para a compra de suprimentos que garantam a sua manutenção.

Outro possível objetivo de utilização é para sustentar a lacuna existente entre o fluxo de caixa e a quantia necessária para a startup em atividade.

Classificações do investimento

Resumindo, a principal diferença entre Private Equity e Venture Capital se encontra no momento em que o negócio recebe a injeção de capital. Será um investimento de VC Venture Capital) se a empresa ainda estiver nas fases de desenvolvimento, for uma startup (quando o negócio realmente entra em atividade) ou possuir um crescimento inicial (estágio em que o empreendimento começa a crescer).

Em contrapartida, o investimento será classificado como de PE nos seguintes estágios de vida da companhia: de expansão (vendas estão apresentando um grande crescimento), de maturidade (vendas estão estáveis) e ainda na fase de crise (quando há um declínio em suas atividades).

Fundos de Private Equity

Uma das formas mais comuns de captação de recursos para aplicações de PE e VC são os fundos de investimentos, considerados uma modalidade de renda variável. Eles são divididos em fases, sendo a primeira a de Captação, seguida pelo Período de Investimento e, por fim, a fase de Saída.

O prazo de duração de um fundo de Private Equity normalmente é mais longo em comparação a um fundo de ações comum, e, em geral, seu prazo varia entre 7 e 10 anos.

A Captação de recursos, fase que ocorre anteriormente ao início de um fundo, é quando o gestor precisa vender a ideia para possíveis investidores e torná-los cotistas.

Dessa maneira, com o valor já definido, o gestor terá noção da quantia disponível para a construção da carteira do fundo no decorrer do Período de Investimentos e, conforme o fundo for necessitando, o administrador poderá solicitar aos cotistas as quantias combinadas. Após levantar o valor necessário, o fundo pode ser fechado.

O Período de Investimentos consiste na seleção das empresas, no investimento em si, e na administração dos empreendimentos que farão parte da carteira. Após várias candidatas ao investimento serem descartadas, começa o processo de Diligência, isto é, reúnem-se todas as informações necessárias para se fazer o valuation, ou seja, a estimação do valor da companhia, sendo que devem novamente ser escolhidas aquelas que mais trariam lucro para os investidores.

Como já dito anteriormente, uma prática que acontece na maioria dos casos de PE é a interferência do investidor na administração da beneficiada, como uma forma de guiá-la ao sucesso, pois é isso que gerará lucros.

Por fim, há a fase de Saída, e é nela que os investidores ganharão os seus lucros. Existem algumas estratégias comuns de saída, como o IPO (Oferta Pública Inicial), processo onde a empresa abre o seu capital e começa a vender ações para o público; a Fusão ou Aquisição, que consiste na venda da participação societária para outras instituições pelo fundo; e a venda da sua “fatia” para outro fundo de PE.

No Brasil

No Brasil, essas modalidades de investimentos têm ganhado cada vez mais espaço e é possível analisar esse fato com mais clareza através de números.

De acordo com uma pesquisa realizada pela ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital) juntamente à KPMG, no ano de 2020, esse mercado investiu 23,6 bilhões de reais em empreendimentos brasileiros, sendo 9,0 bilhões em Private Equity e 14,6 bilhões em Venture Capital que, pela primeira vez na história, superou o PE.

Em primeiro lugar, com 27% do valor total aportado por fundos de Capital Privado e Capital de Risco, está o mercado de Serviços Financeiros, seguido pelo de Tecnologia da Informação, com 22%, e em terceiro lugar, com uma diferença considerável, vem o setor do Varejo, que representou 12% dos investimentos totais.

Impactos da COVID-19

Um estudo realizado pela ABVCAP com 41 gestores de fundos de Private Equity e Venture Capital, mediu os impactos da pandemia do Coronavírus nesse setor.

Segundo os entrevistados, suas maiores preocupações em relação a esse cenário foram referentes às dificuldades de captação de recursos; ao impacto financeiro nas operações, liquidez, recursos de capital e retorno dos fundos e o impacto na força de trabalho e a diminuição da produtividade.

Além disso, foi questionado quais seriam os setores que poderiam sair fortalecidos após uma grande amenização pandemia da COVID-19. No caso de empresas beneficiadas por Private Equity, os principais seriam o da Tecnologia da Informação, Agronegócio, Saúde, Educação e o de Alimentos.

Já em relação aos negócios que receberam investimentos de Venture Capital, os que se sairiam mais fortalecidos são os da área de HealthTechE-commerceEdtech e Marketplaces.

Outro questionamento levantado foi sobre como o capital privado poderia contribuir para a retomada do crescimento no país e, entre os pontos destacados, estão o de geração de emprego, incentivos para inovação e os investimentos em mercados prioritários.

Conclusão

Após tomarmos conhecimento dos conceitos de Capital Privado (PE) e de Capital de Risco (VC), podemos concluir que, apesar de ser uma prática amplamente difundida há anos em outros países, no Brasil é algo que vem se tornando mais relevante recentemente.

Tais práticas estão ganhando cada vez mais espaço no país, principalmente após a aceleração da digitalização gerada pela crise da COVID-19, já que as empresas digitais são as queridinhas dos investidores de Private Equity e Venture Capital.

Autora: Giovana Spínola 


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